Dor de cabeça, no pescoço, zumbido no ouvido, dormir mal por ter o sono interrompido diversas vezes, ou nem conseguir abrir a boca de tanto contrair a musculatura facial durante a noite. Dados estatísticos revelam que mais de 50% da população adulta não conseguem ter uma noite de sono reparadora. Sabemos, também, que a dor constante produz substâncias contrárias à ação da serotonina, levando ao mau humor e à depressão.

Centenas de profissionais de Saúde, das mais variadas especialidades, ouvem diariamente queixas semelhantes. Por quê?

Primeiro porque tais sintomas em geral estão associados a uma das articulações mais ativas do corpo humano, a articulação temporomandibular, ou simplesmente ATM, localizada na região da face em que o maxilar inferior se liga ao crânio. Do seu funcionamento harmônico dependem atos fundamentais como falar, comer e mastigar, por ser a responsável pela abertura e fechamento da boca. A chamada disfunção temporomandibular (DTM) que atinge em torno de 40% da população mundial, compromete seriamente a qualidade de vida.

Segundo porque estas queixas, em especial a dor nos tecidos da cabeça, face, pescoço e estruturas da cavidade oral (dor orofacial), manifestam-se em áreas fronteiriças de atuação profissional de médicos reumatologistas, neurologistas e dentistas clínicos e ortodontistas.

Terceiro porque nem sempre os especialistas estão familiarizados com a conduta ideal para avaliar a região craniofacial. Em função disso, é comum o paciente perambular por consultórios até obter o diagnóstico adequado e iniciar um tratamento eficaz. Chega a fazer inúmeros exames complementares sem encontrar explicações para suas queixas. E a consumir grande quantidade de medicamentos, sem ao menos dispor do diagnóstico correto, enquanto a dor e os demais sintomas continuam a torturá-lo. O pior é que a dor crônica pode levar à depressão, o que tende a agravar o quadro.

Se os profissionais da saúde nem sempre reconhecem a DTM, o que dizer, então, dos principais interessados, as pessoas atingidas pelo problema? Reina entre elas uma grande desinformação. Esse livro foi escrito com o propósito de ajudar a suprir essa lacuna. Nós, autores, compartilhamos da visão de que a educação do paciente é parte integrante do tratamento e requisito fundamental para a recuperação. Constitui, ainda, ferramenta útil para a prevenção de vários distúrbios.

No decorrer deste livro vamos elucidar as principais dúvidas sobre DTM a fim de colaborar para que o leitor possa encontrar alívio para seus sintomas ou soluções adequadas para as queixas de amigos e familiares: das técnicas mais precisas para o diagnóstico aos procedimentos mais atualizados para o tratamento. E sabendo como administrar este transtorno que possa, enfim, melhorar sua qualidade de vida.